:: ESPECIAL: Dia Mundial do Rock - 13 de julho ::
Há 24 anos, 13 de julho é dia de comemoração para os fãs de rock and roll. A data para a celebração foi escolhida porque neste dia, em 1985, aconteceu o Live Aid, festival com espetáculos simultâneos na Inglaterra e nos Estados Unidos e que tinha como objetivo arrecadar dinheiro para as pessoas que sofriam com a fome na Etiópia. O festival reuniu nomes de peso, como Led Zeppelin e Queen, e ainda contou com milhões de telespectadores, que assistiram de suas casas os monstros do rock unidos em prol de uma causa nobre.
Mas a história do rock começa muito antes da década de 80. O ritmo nasceu na década de 50 e, ironicamente, já foi declarado morto uma centena de vezes. Mas verdade seja dita: o rock nunca morreu, e provavelmente nunca morrerá, já que é um dos estilos de música com maior habilidade para se reinventar a cada década.
O rock é daqueles ritmos difíceis de classificar, ele não tem uma só cara, muito menos um só acorde. Vai das baladinhas dos primeiros anos dos Beatles, nos anos 60, até os sons distorcidos do punk nos anos 80. Ele começa com o rebolado de Elvis, nos anos 50, e vai até os gritos de Kurt Cobain nos anos 90. Tudo isso sem escala, sem parar para pensar. O rock é assim, multifacetado.
Histórias Obscuras do Rock N`Roll
- Robert Johnson
Um dos primeiros relatos envolvendo um pacto com o diabo aconteceu com Robert Johnson, guitarrista que atuou na década de 30 e ficou conhecido com um dos pais do blues. Morto em 1938 aos 27 anos, alguns dizem que o músico morreu de pneumonia. No entanto, dias antes, Johnson havia tomado uma dose de uísque que teria sido envenenado pelo dono do bar onde o músico tocava. O dono do bar desconfiava que Johnson tinha um caso com sua esposa. Sobre a lenda, dizem que o guitarrista teria vendido sua alma ao demônio na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississippi, Estados Unidos, pedindo em troca habilidade para tocar o instrumento. A letra da canção Crossroad Blues trataria desse assunto. Johnson também ficaria famoso mais tarde por ter sido o primeiro grande astro da música a morrer aos 27 anos, idade em que também faleceram Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Coubain.
- Beatles
Acusados diversas vezes de terem vendido suas almas ao diabo, os Beatles também possuem histórias obscuras em seu currículo. De acordo com vários rumores, o baixista Paul McCartney teria morrido em um acidente de carro em 1966. Para manter o grupo, os Beatles teriam contratado um sósia – que teria passado por várias cirurgias plásticas – para seguir com a banda. A entrada do “novo Paul” é justificada por alguns fãs através de “provas” escondidas em álbuns e a evolução na carreira do grupo com letras mais políticas e mudança na sonoridade.
- Eagles
Uma das histórias mais conhecidas sobre bandas e satanismo seria tratada na música de maior sucesso do Eagles, Hotel California. A história surgiu quando um ex-produtor da banda acusou o grupo de se envolver com uma igreja satanista. A letra do hit narraria a primeira vez em que os integrantes conheceram a sede do grupo satanista, local que anteriormente era um hotel. Uma das “provas” sobre o suposto pacto seria o próprio sucesso da banda escorado somente nessa música.
- Rolling Stones
Uma das primeiras bandas a ser acusada de se envolver com o satanismo, o Rolling Stones abordou o ocultismo em algumas letras, como Simpathy for the Devil. Rumores chegam a dizer que Mick Jagger escreveu a letra depois de visitar um centro de candomblé na Bahia.
- Black Sabbath e Ozzy
O visual dos roqueiros, considerados pais do metal, sempre gerou polêmica entre os setores conservadores da sociedade. Sempre usando referências de cruzes e demônios em seus álbuns, o nome do demônio é citado em músicas como NIB e War Pigs. Os boatos sobre Ozzy ter arrancado a cabeça de um morcego ou matado uma pomba durante uma reunião com uma gravadora também contribuíram para que se criasse a imagem do roqueiro.
- Led Zeppelin
Grupo constantemente acusado por fazer referências supostamente escondidas em suas letras, a banda, principalmente Jimmy Page, se envolveu com as obras do estudioso inglês Aleister Crowley, considerado por muitos um bruxo. O guitarrista chegou a comprar uma mansão que já havia pertencido ao filósofo.
- Mercyful Fate
Liderada por King Diamond, a banda dinamarquesa também sempre se envolveu nos boatos que a ligavam a rituais ou pactos com o demônio. Durante o auge do grupo, diziam que o vocalista dormia em um caixão e tinha a habilidade de falar de trás para a frente.
- Kiss
O visual já rotineiro dos roqueiros do Kiss causou muita polêmica quando a banda surgiu. O próprio nome da banda já chegou a ser sugerido como sigla de Kids In Satan’s Service (Crianças a serviço de satã) ou Knights In Satan’s Service (Cavaleiros a serviço de satã). A presença de palco dos músicos, principalmente a mania de cuspir sangue falso de Gene Simmons, também contribuiu para que a lenda deste pacto com o diabo se mantivesse viva.
20 anos sem Raul
Talvez um dos maiores legados de Raul Seixas seja esse jargão “Toca Raul!”, isso é uma febre desde a década de 80. Em qualquer situação constrangedora ou não, sempre pinta um engraçadinho gritando “Toca Raul!”. Lembro que até no meio de show internacional, alguém na platéia soltava o jargão entre uma música e outra e acabava virando uma piadinha. Se há uma falha durante uma discotecagem, logo surge o engraçadinho gritando “Toca Raul!”. E tem também aqueles que falam sério durante os shows, pois são fãs de Raul Seixas. Brincadeira ou não esse jargão será eterno.
Mas, o legado de Raul Seixas após 20 anos de sua morte vai muito além disso. Certa vez ouvi Gilberto Gil dizendo que Krig-Há, Bandolo! é um dos melhores discos do rock brasileiro. Concordo plenamente com a afirmação de Gil, o disco lançado em 1973 foi o primeiro álbum solo de Raul Seixas com seu parceiro Paulo Coelho. Nele estava seu primeiro grande sucesso Ouro de Tolo, uma música que tocou à exaustão em todas as rádios do país naquela época.
Recentemente Nasi, o ex-vocalista do IRA!, fez uma releitura de Krig-Há-Bandolo! num show especial que ele apresentou na Virada Cultural de São Paulo. A música de Raul Seixas influenciou bandas famosas dos anos 90, como Raimundos e Chico Science, por exemplo.
Em 1973 Raul Seixas criava a Sociedade Alternativa e durante seus shows de lançamento do LP Krig-Há-Bandolo! foi distribuído um gibi contendo um manisfesto, que eu transcrevo abaixo.
O texto que segue está no manifesto/gibi A Fundação Krig-Ha, distribuído no primeiro show de Raul em SP, em 1973. Escrito por Raul e Paulo Coelho, entre outras pessoas, esse manifesto lança a ideia de Sociedade Alternativa. No ano seguinte, todas as cópias desse manifesto seriam recolhidas pela Polícia Federal e queimadas como "material subversivo". Raul foi preso e torturado pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e é "convidado" a se retirar do país, retornando ao Brasil pouco mais tarde devido ao sucesso de seu disco Gita. Veja abaixo a transcrição do texto do manifesto:
* Prefácio – Nós vos saudamos, Maria. Nós Vos Saudamos José. E nós saudamos os artistas brasileiros que tiveram o silêncio do resto do mundo quando seus trabalhos e seus corpos foram censurados, mutilados desaparecidos.
Manifesto:
1 - O espaço é livre. Todos têm direito de ocupar seu espaço.
2 - O tempo é livre. Todos têm que viver em seu tempo, e fazer jus às promessas, esperanças e armadilhas.
3 - A colheita é livre. Todos têm direito de colher e se alimentar do trigo da criação.
4 - A semente é livre. Todos têm o direito de semear suas ideias sem qualquer coerção da INTELEGENZIA ou da BURRICIA.
5 - Não existe mais a classe dos artistas. Todos nós somos capazes de plantar e de colher. Todos nós vamos mostrar ao mundo e ao Mundo a nossa capacidade de criação.
6 - "Todos nós" somos escritores, donas-de-casa, patrões e empregados, clandestinos e careta, sábios e loucos.
7 - E o grande milagre não será mais ser capaz de andar nas nuvens ou caminhar sobre as águas. O grande milagre será o fato de que todo dia, de manhã até à noite, seremos capazes de caminhar sobre a Terra.
Saudação final do 11º manifesto:
- Sucesso a quem ler e guardar este manifesto. Porque nós somos capazes. Todos nós, todos nós somos capazes.
Escrito por: Raul Seixas, Paulo Coelho, Sylvio Passos, Christina Oiticica, Toninho Buda, Ed Cavalcanti
* Kid Vinil é cantor, dj, radialista, divulgador musical e apresentador de TV e autor do livro ‘Almanaque do Rock’ (Ediouro)
Triunfo máximo da geração “paz e amor”, Woodstock completa 40 anos
O ano era 1969. A Guerra do Vietnã corria solta, tumultos raciais tomavam conta da América, os Beatles haviam feito sua última aparição pública nos telhados da Apple Records, Led Zeppelin lançava o primeiro disco de heavy metal do mundo, Nixon tornava-se presidente dos EUA, De Gaulle caía na França e finalmente a Apollo 11 fazia seu pouso na lua.
Os tempos eram incertos e a juventude clamava por mudanças e pela quebra dos padrões convencionais de comportamento. É neste cenário que quatro jovens, Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld, decidem montar um estúdio-retiro em Woodstock, no estado de Nova York e, depois de muita discussão, a ideia evoluiu para um show de música e arte que mudaria o mundo.
Para tornar a empreitada real, os quatro bateram na porta de muitas empresas pedindo fundos. Diversos proprietários da região recusaram sediar o show até que um fazendeiro, Max Yasgur, alugou um terreno de 2,4 quilômetros quadrados na localidade rural de Bethel. Os empresários acreditavam que não mais que 50.000 pessoas iriam participar do evento e passaram a vender ingressos pelo correio e em lojas de discos na Big Apple. Foram vendidos rapidamente 186.000 ingressos, custando US$ 18 (cerca de US$ 75 hoje, aplicando-se inflação), o que fez os organizadores alterarem sua previsão para um público de 200.000 pessoas.
Mas o resultado foi muito maior do que isso, meio milhão de pessoas apareceram, lotando as estradas do estado (o congestionamento chegava a 32 quilômetros e os artistas eram obrigados a chegar de helicóptero), e causando um verdadeiro caos logístico. No final, as cercas foram derrubadas e o concerto foi proclamado gratuito.
O motivo para tanto alarde era explicável: o show reuniria alguns dos maiores nomes da música na época, gente do calibre de Jimmy Hendrix, Joan Baez, Crosby, Still, Nash & Young, The Who, Sly and the Family Stone, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, Santana e Joe Cocker, entre tantos outros, além de ser uma forma de protestar pela paz e entendimento dos povos.
Do momento em que Richie Havens abriu o espetáculo na sexta-feira, 15 de agosto, às 17h07m. com sua canção High Flying Bird, até o encerramento feito por Hendrix com a música Hey Joe na manhã de segunda, dia 18, Woodstock se tornou uma pequena nação. Diferentes raças, credos e estilos se combinaram sem brigas ou confusões. Apesar dos meios de comunicação terem focado os holofotes apenas no caos das estradas e nos hippies com suas drogas, nenhum incidente grave foi registrado durante o festival. Nem mesmo a chuva, a escassez de comida, o abuso de drogas e a falta de condições sanitárias impediram que os três dias fossem pacíficos e de celebração à vida.
Foram registradas apenas duas mortes (uma por overdose de heroína e outra em um acidente onde um trator passou em cima de uma pessoa que estava dormindo), mas também ocorreram dois nascimentos em meio à celebração, dando um toque peculiar ao sentido de ciclo da vida.
O proprietário do terreno, Max Yasgur, considerou o espetáculo uma vitória da paz e do amor e emendou: “Com todas as possibilidades de tumulto, roubo, desastre e catástrofe, meio milhão de pessoas passaram três dias com música e paz em suas mentes. Se nos juntarmos a elas, podemos mudar as adversidades que são os problemas da América hoje e transformá-las em um futuro mais brilhante e mais pacífico”. Já o cantor David Crosby chegou a afirmar à revista Rolling Stone que ele e muitas pessoas se achavam um bando de dispersos hippies até chegarem a Woodstock e ver que a coisa era muito maior do que eles pensavam.
Para a benção das futuras gerações, os organizadores haviam feito um acordo de US$ 100.000 com a Warner e todo o festival foi filmado, gerando um documentário ganhador de um Oscar (editado pelo estreante Martin Scorcese). Nele é possível ver Joe Cocker transformando a baladinha sem graça With a Little Help From My Friends, dos Beatles, em um poderoso canto gospel, ou Jimmy Hendrix dando sua interpretação do hino nacional americano, além de conferir outros 30 gênios musicais dando seu melhor.
Também foi registrado para sempre ¬o comportamento alternativo da plateia e sua influência nos anos seguintes. O amor livre e sua maior consequência, a gravidez pós-festival, criaram uma geração Woodstock. Os hippies conseguiram encontrar seu lugar no mundo e a repercussão internacional do acontecimento também afetou profundamente os artistas, inclusive os já famosos e consagrados, como The Doors, Led Zepellin, Jethro Tull, Moody Blues, que, por um motivo ou outro, torceram o nariz para o grande evento de 1969, mas passaram a se apresentar em outros festivais, como o da Ilha de Wight, na Inglaterra.
Em 1994, uma tentativa de reviver Woodstock foi feita, mas segundo um crítico da época, o pessoal que participou da primeira edição agora chegava em suas Mercedes e a coisa toda perdeu o sentido.
* Claudio R S Pucci é colaborador do Terra e se tivesse uma máquina do tempo iria participar de Woodstock só para ver Jimmy Hendrix
50 anos de ‘I Fought the Law’
Sonny Curtis, que sucedeu Buddy Holly à frente dos Crickets depois que o músico morreu em um acidente aéreo, só não é um obscuro roqueiro da década de 50 graças a essa canção: I Fought The Law. A música é um dos rocks mais regravados da história e foi composta em 1959.
A versão de maior sucesso, originalmente, foi de Bobby Fuller Four, em 1965, que ficou no 175º lugar da enquete da revista Rolling Stones que elegeu as 500 maiores canções de todos os tempos.
Mas considero a versão do Clash, de 1976, como a melhor, a definitiva. Nenhuma banda antes nem depois teria “autoridade moral” para cantar melhor seus versos.
A música foi lançada como bônus na versão americana do seu 1º álbum, talvez até para quebrar barreiras ao punk rock inglês nos EUA, e se tornou entre os fãs da banda de Joe Strummer e Mick Jones uma das canções mais emblemáticas e executadas.
Viva o ROCK N` ROLL!!!
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